Sabe aquela máxima: Não entendeu? Quer que eu desenhe? Pois foi o que fez uma editora gráfica da revista Science a respeito do benefício das vacinas. O gráfico interativo (você pode visitar AQUI) mostra o impacto da criação e uso de vacinas na prevenção de nove doenças: difteria, pólio, coqueluche, hepatite B, sarampo, catapora, hepatite A, caxumba e rubéola. É notável o quanto a incidência de doenças diminuiu a partir do momento em que a vacina para cada uma dessas doenças começou a ser usada amplamente. Por exemplo, em cinco anos após o início da vacinação para sarampo nos Estados Unidos, o número de casos diminuiu de 385.156 (1963) para 22.231 (1968). Isso representa 362.925 pessoas que deixaram de ficar doentes em apenas cinco anos. Para você ter uma ideia, esse número equivale à população de Rio Branco, no Acre.

grafico science

Gráfico mostrando a influência da vacinação na diminuição de casos de doenças. 

Já não é de hoje que existem teorias de conspiração falando sobre como vacinas podem trazer uma série de problemas desde causar autismo até encher as crianças de neurotoxinas. Uma série de mitos criados por pessoas ignorantes (no sentido de não possuir conhecimento) ou agindo de má fé simplesmente. Um dos casos de má fé foi o do médico inglês Andrew Wakefield que em 1998 publicou um artigo na revista Lancet sugerindo que a vacina tríplice para sarampo, caxumba e rubéola estaria causando autismo. Nos anos subsequentes, a taxa de vacinação em crianças de até dois anos caiu mais de 80%. Apesar disso, em 2004,um jornalista descobriu um “leve” conflito de interesses já que Andrew estaria tentando patentear a sua própria vacina tríplice E tinha recebido dinheiro de um advogado que estava tentando processar as fabricantes de vacinas. Em 2010 a revista Lancet se retratou a respeito dos resultados apresentados e, logo em seguida, o conselho médico do Reino Unido caçou a licença do Dr. Andrew.

Em outro caso, grupos anti-vacina começaram a questionar o calendário de vacinação proposto pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos). Segundo esses grupos, as crianças deveriam tomar muitas vacinas em pouco tempo, o que acarretaria uma sobrecarga no sistema imunológico dos pequenos. Essa sobrecarga, segundo esses grupos, poderia causar uma série de danos ás crianças como atrasos no desenvolvimento neurológico e diabetes. Obviamente esse mito logo foi derrubado por especialistas, já que o sistema imunológico das crianças está preparado para lidar (e lida) com milhares de antígenos estranhos todos os dias. De acordo com o calendário de vacinação do CDC, até os dois anos, uma criança recebia 300 novos antígenos através de vacinas, o que não usaria nem 0,1% do sistema imunológico das crianças.

E essas campanhas anti vacinação estão crescendo e continuam a fazer estragos. Em 2015, os Estados Unidos teve um surto de sarampo. Não foi um surto nos moldes antigos com mais de 300 mil casos, mas já foi suficiente para gerar transtornos. Foram registrados 98 casos e após o rastreamento para se chegar ao paciente zero, descobriu-se que era uma criança a qual os pais não deram vacinas. Isso gerou uma série de revoltas, desde médicos se recusando a atender pacientes sem vacinas até grupos de pais pregando pelo direito deles de decidir o que é melhor para seus filhos. O problema é que esses pais, às vezes, não conseguem ver o que está além do seu nariz. O problema e o risco não acabam nos seus filhos, vai além. Atinge os filhos dos outros.

É importantíssimo ressaltar que quando uma pessoa se vacina, ela não protege somente ela mesma. Ela protege também aqueles que não podem receber vacinas (imunocomprometidos), pois quando a maioria se vacina, a doença não se propaga. Além disso, não existem estudos sérios a respeito de grandes efeitos nocivos das vacinas, mas existem muitos estudos sobre o efeito nocivo das doenças que elas protegem, sendo o maior deles, a morte.

Portanto, pense bem, pesquise bem, utilize fontes sérias para se basear e, na dúvida, pergunte para um médico ou profissional de saúde. Sua saúde, a saúde dos seus filhos, a saúde dos filhos dos outros e a de todos nós depende disso.

Deixo abaixo o calendário de vacinação infantil do Ministério da Saúde:

calendario-de-vacinacao-dose-unica-2017

Referências:

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