Tendo em vista recentes manifestações sobre a falta de comprovação da eficácia da vacina papiloma vírus humano (HPV), a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) reafirma que, após dez anos de uso desta vacina nos programas de imunização de diversos países, há evidências significativas de sua segurança, eficácia e eficiência na prevenção do câncer do colo do útero. Nesse sentido, as mudanças no Calendário Nacional de Vacinação do Brasil, que passaram a valer no país a partir desta quarta-feira (4), estão em conformidade com as recomendações da OPAS/OMS e são benéficas para a população.

Atualmente, há duas vacinas que protegem contra o HPV 16 e 18 (responsáveis por causar, pelo menos, 70% dos casos de câncer do colo do útero): Cervarix e Gardasil/Silgard. Diversos resultados de ensaios clínicos em todo o mundo mostram que ambas as vacinas são seguras e muito eficazes na prevenção da infecção por esses tipos de vírus. Ambas funcionam melhor se forem administradas antes da primeira atividade sexual. As vacinas também podem ter proteção cruzada contra outros tipos menos comuns de HPV que causam essa doença.

A mais recente avaliação feita pelo Comitê Global Consultivo sobre Segurança de Vacinas da OMS foi divulgada em 2014 e utilizou dados atualizados dos Estados Unidos, Austrália, Japão e dos fabricantes das vacinas. Com mais de 175 milhões de doses distribuídas a nível mundial e mais países oferecendo a vacina por meio de programas nacionais de imunização, o Comitê pôde constatar mais uma vez a segurança dos produtos disponíveis. Os eventos adversos graves relatados, como Síndrome de Guillain-Barré, convulsões, Acidente Vascular Cerebral (AVC), tromboembolismo venoso, anafilaxia e outras reações alérgicas, foram detalhadamente investigados e não confirmados.

A OPAS/OMS recomenda a vacinação para meninas com idade entre 9 e 13 anos e tem atuado para que esta ação preventiva seja implantada em todos os Estados-Membros. Esta é a medida de saúde pública mais custo-efetiva contra o câncer do colo do útero. No entanto, não substitui o rastreio dessa doença, que também deve ser feito em todos os países.

Câncer
Embora a maioria das infecções por HPV e das lesões pré-cancerígenas desapareçam espontaneamente, há um risco para todas as mulheres que a infecção pelo vírus possa se tornar crônica e as lesões pré-cancerosas possam evoluir para o câncer do colo do útero invasivo.

No mundo, o câncer do colo do útero é o quarto tipo mais frequente em mulheres, com um número estimado de 530 mil novos casos em 2012, representando 7,5% de todas as mortes por câncer do sexo feminino.

Fonte: Organização Pan-Americana de Saúde

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