As imunoglobulinas são glicoproteínas que exercem função de anticorpo e tem como objetivo evitar por diversos mecanismos a ação do antígeno no organismo. A ação da imunoglobulina é imediata ao contrário da vacina que necessita de alguns dias para atuar na defesa do organismo.
Existem algumas imunoglobulinas que no Brasil só estão disponíveis no serviço público, como a imunoglobulina para Hepatite B (HBIG) e Imunoglobulina para Varicela VZIG.
O SEIMI dispõe da Imunoglobulina anti RH e Imunoglobulina anti-VSR (vírus sincicial respiratório)

Imunoglobulina anti-Rh

Rh é o nome de uma proteína encontrada nas células vermelhas do sangue e sua presença caracteriza a pessoa como sendo Rh positiva ou Rh negativa. Ser positiva ou negativa para fator Rh não afeta a saúde individual da pessoa.

Essa característica tem transmissão genética e pode haver problemas durante a gravidez se o sangue da mãe Rh negativa entrar em contato com o sangue do feto Rh positivo, levando a uma incompatibilidade sanguínea. Nesse caso a mãe vai produzir anticorpos anti-Rh contra as células vermelhas do bebê. Esses anticorpos alcançam o sangue do bebê na gestação atual, ou em gestações futuras, através da placenta, o que pode ter como consequência a doença hemolítica do recém-nascido, também conhecida como Eritoblastose Fetal, Doença de Rhesus ou doença hemolítica por incompatibilidade Rh. As manifestações clínicas no bebê são anemia e icterícia em graus variados e nas formas mais graves pode levar a morte.

A forma de prevenir esses problemas é através do uso da imunoglobulina anti-Rh durante a gestação ou logo no pós- parto. Na avaliação pré-natal é importante saber seu tipo sanguíneo e fator Rh e tirar todas as dúvidas com seu médico obstetra. Se a mulher grávida for Rh negativa é muito importante que o companheiro tenha seu tipo sanguíneo também identificado para que o médico avalie a necessidade de fazer uso de medicamento que impeça alterações na criança.

O medicamento se chama Imunoglobulina anti-D ou anti-Rh (RhoGam), que pode ser usado no terceiro trimestre da gestação ou logo após o parto, em geral até 72 horas, conforme orientação do médico obstetra. A imunoglobulina anti-Rh é conhecida como vacina anti-Rh.
Contudo, vacinas induzem o organismo a produzir anticorpos contra um determinado antígeno (que em geral é parte ou todo um microrganismo). A imunoglobulina já é o anticorpo pronto, ou seja, a pessoa já recebe a proteção pronta e essa proteção dura um período de tempo menor que a proteção induzida pelas vacinas, nesse caso em geral até 12 semanas. Por essa razão, toda vez que a mulher Rh negativa engravidar precisa ser orientada pelo médico para ver a necessidade de usar a medicação. Para ser eficaz a aplicação da imunoglobulina anti-Rh precisa ser realizada no tempo indicado. A técnica de fabricação dessa medicação é segura e não há risco de transmissão de vírus como HIV, hepatite C, parvovirus e outros.

Algumas indicações de utilização de imunoglobulina anti-Rh ou anti-D (sempre devem ser discutidas com o médico obstetra):

  • Sangramento durante a gestação
  • Necessidade de aminiocentese ou amostra de vilosidade coriônica durante a gestação
  • Algumas situações de aborto espontâneo e/ou induzido
  • Gravidez ectópica

É NECESSÁRIO PRESCRIÇÃO MÉDICA PARA APLICAÇÃO DA IMUNOGLOBULINA ANTIRH.

Imunoglobulina anti-VSR (vírus sincicial respiratório) – Palivizumab

O vírus sincicial respiratório, VSR, pode causar doença no trato respiratório de pessoas em qualquer faixa etária e as manifestações clínicas variam conforme a idade e condição básica de saúde.

No Brasil há diferentes padrões de circulação do VSR nos diversos estados, sendo em geral o pico de circulação entre os meses de janeiro a junho. O VSR é um dos vírus mais associados a infecções do trato respiratório em crianças menores de 1 ano de idade e nos períodos de sazonalidade pode ser responsável por 75% dos casos de bronquiolite e 40% de pneumonias
nessa faixa etária.

Alguns grupos são considerados de maior risco pelas infecções do VSR: prematuridade, cardiopatia congênita e doença pulmonar crônica da prematuridade.

Como não há tratamento específico para o VSR, quando indicado se faz a profilaxia com Palivizumab, imunoglobulina (anticorpo monoclonal) direcionada contra a glicoproteína de fusão (proteína F), presente na superfície do VSR. O Palivizumab funciona através da neutralização e inibição da fusão do VSR com as células do epitélio respiratório do indivíduo.

Tendo em vista a necessidade de padronizar as indicações do Palivizumab, a Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou um material educativo que pode ser acessado via internet intitulado “Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR)”, em 2011. Nessa diretriz estão estabelecidos os critérios de utilização da imunoglobulina específica, número de doses necessárias e seu calculo. Nesse material educativo é enfatizado a necessidade do uso adequado dessa imunoglobulina, em função de ser medicamento de alto custo.

A Portaria número 522, do Ministério da Saúde (Secretaria de Atenção à Saúde), de 13 de maio de 2013, aprovou um protocolo de uso do Palivizumab, sendo os gestores da área de saúde, estaduais, municipais e do Distrito Federal, responsáveis por organizar suas redes de Palivizumab (imunoglobulina) também é disponibilizada na rede privada.

É NECESSÁRIO PRESCRIÇÃO MÉDICA E AGENDAMENTO PRÉVIO DE PELO MENOS 48 HORAS PARA UTILIZAÇÃO DO PALIVIZUMAB.