Fonte: Sociedade Brasileira de Infectologia

Na sequência do Bem Estar desta segunda-feira (18/04), o pediatra e especialista em vacinas do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (HC) Marcelo Vallada tirou as dúvidas que chegaram pela internet sobre imunização de adultos.

Segundo ele, as doses feitas à base de ovo são as de gripe, tríplice (sarampo, caxumba e rubéola) e febre amarela. Pessoas com alergia grave podem passar por uma diminuição desse processo, e as com reação leve podem ser vacinadas desde que com autorização médica.
Toda mulher grávida deve tomar a dupla tipo adulto (contra tétano e difteria) a partir do segundo trimestre de gestação, cujos anticorpos são passados para a criança, e a da gripe, doença que se torna mais grave nesse período. A vacina contra a gripe é trivalente, ou seja, protege contra três tipos principais: influenza B, influenza A (H3N2) e influenza A (H1N1).
As futuras mães com risco para hepatite B também devem se imunizar. Já a vacina de rubéola é indicada apenas antes ou depois da gravidez, por precaução. Quem amamenta pode tomar a maioria das doses, e avaliar com um profissional se há realmente a necessidade da imunização contra febre amarela cerca de 6 meses após dar à luz.
Em relação às doenças sexualmente transmissíveis (DST), o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece apenas a vacina contra hepatite B. A do vírus do papiloma humano (HPV) ainda não entrou no programa nacional de imunização. De acordo com Vallada, a vacina do HPV protege contra lesões pré-cancerosas do colo do útero. A faixa etária recomendada no país vai dos 9 aos 26 anos.
Um indivíduo pode tomar vacina mesmo se estiver fazendo uso de antibióticos. O médico explicou, ainda, que qualquer dose pode causar reações, mas em geral são muito leves, como desconforto local, que pode ser resolvido com compressa de água fria. Contra febre, pode-se usar um antitérmico.
O especialista esclareceu o que é a síndrome de Guillain-Barré, doença que causa paralisia e é associada a vacinas em casos raros – um caso a cada 2 milhões de doses no caso da vacina contra gripe suína. Vallada disse que não há vacina contra doenças autoimunes, como lúpus.
No caso de pessoas com baixa imunidade, como pacientes de quimioterapia, não é indicada a imunização que contenha agentes infecciosos vivos (tríplice). Esse termo não deve ser aplicado a quem está com um resfriado ou gripe, por exemplo.
Segundo o médico, a vacina contra hepatite B deve ser tomada como medida de prevenção, não de terapia. Quem já tem a doença não vai se beneficiar da dose. Adultos obesos, idosos e fumantes podem ter uma proteção menor. Contra hepatite C, não há imunização.
A maioria das vacinas no Brasil faz parte do programa nacional de imunização e vale para todas as regiões. Alguns locais podem ser incluídas pelas prefeituras, de acordo com a necessidade.